Publicado em 13 de agosto de 2017 no LinkedIn por Ricardo Sales

 Li neste domingo uma boa matéria sobre a questão dos vieses inconscientes e como cada vez mais empresas no Brasil tem se aproximado deste assunto. É mesmo uma conversa fundamental para conquistar avanços nos temas diversidade e inclusão.

Faz algum tempo estou imerso em estudos e artigos sobre o assunto e tenho tido boas experiências com palestras e oficinas em diferentes empresas espalhadas pelo país.

Nessas ocasiões, costumo apresentar uma pesquisa realizada em São Paulo que joga um balde de água fria sobre a cabeça daqueles que se dizem sem preconceitos, “gender blind” ou acham que falar de diversidade é “mimimi”.

Os professores Amanda Ramos e Bruno Araújo, da Fupecapi, pediram para dois grupos de alunos de MBA avaliarem o currículo de um candidato à vaga de gerente de vendas.

Os participantes, todos com experiência em recrutamento e seleção, deveriam dizer se a pessoa estava apta ao cargo, se deveria ser contratada e se teria chance de promoção num intervalo de cinco anos.

Além disso, foram estimulados a compartilhar suas impressões sobre o candidato em questão.

Os dois grupos receberam currículos exatamente iguais: um profissional de 45 anos, sem filhos, com disponibilidade para viagens e ampla experiência em vendas. Só um ponto era diferente: o gênero.

Enquanto uma sala avaliou a candidata Fernanda, outra, avaliou Fernando. Currículos exatamente iguais, lembrem-se.

Os resultados são reveladores. A sala que avaliou o homem o contrataria, considerou-o mais adequado ao cargo e elegível a promoção em até cinco anos. A sala que avaliou a mulher, não. 

Chamo a atenção para o fato de que o (a) candidato (a) fictício (a) tinha 45 anos e não tinha filhos. Os pesquisadores utilizaram esta variável para evitar prejuízos imediatos a mães ou mulheres no auge da fertilidade. Não adiantou: a candidata continuou preterida.

Quanto as percepções, quem avaliou Fernanda “sentiu” que ela era mais “amável” e “simpática”, características estereotipadas e mais associadas às mulheres.

Este “sentimento” dos recrutadores tem nome: vieses inconscientes, um conjunto de padrões estabelecidos ao longo da vida e que influenciam a maneira como percebemos, nos relacionamos e interagimos com os outros.

Todos nós temos vieses, sem exceção. Trazê-los à tona é uma alternativa para tomar decisões melhores, mais acertadas e evitar impactos negativos nas vidas e carreiras de outras pessoas. Voltarei ao tema nas próximas semanas.

 

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