Publicado originalmente em 8 de março de 2018 no LinkedIn por João Torres

De acordo com o Artigo 5º da Constituição Federal, “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. Mas será que a realidade é essa mesma? Desde o século XVII, quando o movimento feminista começou a adquirir características de ação política, as mulheres vêm tentando colocar em prática essa máxima, e mesmo assim seus salários ainda são quase 23% mais baixos que de seus pares homens.

Muito se tem falado sobre a extinção e substituição de parte dos atuais empregos por robôs, e sobre  o futuro das atuais profissões. No entanto, pouco se tem discutido sobre o crescimento da atuação das mulheres devido ao avanço da tecnologia.

Há algum tempo li que o número de mulheres operadoras de máquinas agrícolas nas lavouras brasileiras tem crescido. Grande parte desse aumento deu-se em decorrência do desenvolvimento tecnológico que permitiu que as máquinas ficassem mais manuseáveis e menos dependentes da força.

A consequência disso é que, não só cresceu o número de mulheres operando máquinas agrícolas por todo o país, como também o de mulheres ganhando espaço nas oficinas mecânicas que fazem a manutenção corretiva e preventiva do maquinário.   Os próprios cursos profissionalizantes, como o  de “Mecânico de Manutenção de Máquinas Agrícolas e Veículos Pesados”, do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), tiveram  um aumento no número de mulheres inscritas.

Hoje em dia, apesar das mulheres alcançarem novos índices de sucesso no trabalho, ainda escuto quase toda semana que alguns trabalhos não podem ser feitos por mulheres e vejo que algumas áreas ainda permanecem fortemente dominados pelos homens. Porém, muitas dessas ocupações que são vistas hoje em dia como um estereótipo de trabalho “masculino”, tiveram mulheres como suas pioneiras. Um exemplo disso é o próprio mundo da tecnologia que hoje é notoriamente dominado pelos homens e que deve sua fundação à Ada Byron, ou Condessa de Lovelace, a criadora da computação científica do século 19.

Apesar do pioneirismo feminino,  o mercado de tecnologia não conseguiu sustentar a  presença feminina ao longo dos anos. Hoje, de acordo com pesquisa feita pela Época Negócios, apenas 17% dos programadores brasileiros são mulheres e 41% das mulheres que atuam na área de tecnologia desistem de suas carreiras.

A participação das mulheres no mercado de tecnologia nem sempre foi baixa: na primeira turma de computação do IME (Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo), em 1974, 70% dos alunos eram mulheres. Mais do que tentar entender por que o jogo virou, temos que nos perguntar o que podemos fazer para mudar esse cenário. E, acima de tudo até quando continuaremos a criar desculpas para evitar que mulheres ocupem os mais variados espaços de trabalho? 

 

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