Publicado em 12 de maio de 2017 no LinkedIn por Ricardo Sales

A questão da diversidade entrou na pauta das grandes empresas e tem mobilizado líderes e funcionários engajados com a igualdade no ambiente de trabalho. Isso é ótimo e aponta para uma sociedade mais justa e equilibrada.

Porém, a maneira de conduzir esta discussão é fundamental para o seu sucesso. Assim, considero necessário levantar alguns pontos. Tenho visto gente muito bem intencionada levantar a bandeira de que somos todos iguais. São profissionais de diferentes áreas, todos envolvidos com a questão do respeito e da luta por mais oportunidades aos diversos grupos minorizados (mulheres, negros, LGBT, pessoas com deficiências, entre outros).

Embora os objetivos sejam os melhores, o discurso de que somos todos iguais enfraquece as discussões sobre diversidade e inclusão nas organizações. Por um motivo muito simples: não, não somos todos iguais. Somos escancaradamente diferentes uns dos outros.

Cada um de nós é único em sua experiência profissional, posicionamento diante da vida, opiniões sobre os fatos, background cultural etc. E é isso que faz a riqueza da humanidade e sustenta a diversidade como um dos fatores que elevam a criatividade e trazem inovação para as empresas.

Diferentes vivências e pontos de vista fortalecem uma equipe. Um grupo homogêneo, por outro lado, tende a reproduzir soluções parecidas.

A questão não é insistir que somos todos iguais. E sim apontar para a necessidade de termos todos direitos e oportunidades iguais, independentemente de nossa raça, gênero, origem, idade, orientação sexual ou condição física. 

Como diz o sociólogo português Boaventura Sousa Santos, “temos o direito de ser iguais quando a nossa diferença nos inferioriza; e temos o direito de ser diferentes quando a nossa igualdade nos descaracteriza. Daí a necessidade de uma igualdade que reconheça as diferenças e de uma diferença que não produza, alimente ou reproduza as desigualdades.”

É uma frase maravilhosa e que eu complementaria da seguinte forma: é preciso, sim, lutar por direito à igualdade. Mas precisamos também avançar no direito à diferença.

Falar sobre diversidade e inclusão nas empresas é levantar a bandeira de que temos o direito a ser diferentes uns dos outros, sem que isso limite nossas carreiras ou oportunidades. É também ser valorizado não apesar das nossas diferenças, mas justamente por causa delas.

 

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